A gente nunca soube a data exata. Em 11 de junho de 1987, falaram que ele tinha 3 meses, que tinha nascido mais ou menos nesse dia de março, então inventei que tinha sido dia 12 e a partir daí todos os dias 12 de março passaram a ser dele. Daquela coisinha branquinha, que depois escureceu ficando cinza e nos últimos anos de vida quase ficou branco de novo. Daquele serzinho que miava errado, passou um bom tempo miando baixinho, guardando toda sua potencia vocal para a idade adulta. “Siameses vocalizam muito”, já diria a veterinária. O gato com mais apelidos na história: Toshiba, Tamagoshi, Yamaguchi, Touché, Preto, Yamaha, Olavo, Garoto, Gatushi, Matuza, Guhsi, Yaksoba, Sushi. O nome “de batismo” era Tagushi, mas não fazia muita diferença, ele só atendia qd queria, ou qd a gente tinha nas mãos uma lata de atum. Whiskas Sachê que nada, o lance dele era atum, presunto, frango defumado e sardinha. Nugget do Mc Donald’s tb fazia sucesso. Sorvete, só se fosse de creme e pão só com manteiga. Um felino com preferências alimentares estranhas, mas uma saúde de ferro. Quando foi diagnosticada a falência renal, a dra. vet deu a ele uma semana de vida, mas ele não estava a fim de obedecer e durou mais um ano e meio, vivendo basicamente de amor, eu diria. Nosso amor por aquele peste q arranhou todos os sofás, e nos acordava aos berros de madrugada se alguma porta do “seu reino” estivesse fechada, que cuspia todos os comprimidos, que cismava de dormir no meu travesseiro, que mesmo pequeno - grande, gordo, magro e pequeno de novo - enchia a casa com sua presença. Já faz 1 ano e meio q ele se foi, mas até hoje, às vezes, ainda acho que ele está aqui.